A MINHA VIAGEM NO ARQUIVO
Quando entrei no arquivo “Na fábrica” o primeiro item que escolhi foi “Sábado”. Fi-lo porque pareceu-me o menos apelativo, em comparação com itens como “Perfume” ou “Festa”. A página relativa a este item abriu e foi-me dado a conhecer textos relacionados com “sábado”; dois vídeos de trabalho; textos de cena e figurinos. Li os textos. Vi os vídeos e segui em frente. Na página seguinte apenas existe uma fotografia de uns pés. Por baixo do pé esquerdo está um oito de copas. Ah, e a pessoa veste um vestido. Foi este vestido. A cor do mesmo e o padrão que me fizeram retrocederem na página. Observei uma vez mais as fotografias relativas ao vestido. Depois, tive a necessidade de ver de novo o vídeo VIII para perceber o universo de ambas as mulheres que vestem um vestido igual.
Este interesse em conhecer e em idealizar uma justificação pessoal para o guarda-roupa e/ou figurino utilizados neste projeto, levou-me aos itens “Tecedeira” e “Tear”. No item “Tecedeira” não encontrei fotografias semelhantes às fotografias de “Sábado”. No entanto, dei de caras com um pequeno parágrafo destacado na página “textos de cena” que me proporcionou viajar até ao meu primeiro item.
AMORE: Aos sábados a fábrica parava duas horas para a limpeza. Eu era a tecedeira e ele era tecelão.
Penteiam-se e vestem-se (ver vestido costureira fácil de vestir).
Já no item “Tear” a experiência foi semelhante, no entanto, muito mais completa. O facto de a página permitir o acesso a documentos como o esquisso do espaço cénico e um pouco depois possibilitar a visualização de um vídeo documental do espaço cénico praticamente concretizado (Quadro VI), tornou-me parte integrante de um público. Considero bastante curioso o facto de apenas através da observação pormenorizada de uma ambiente e de um objetivo, ser possível desenvolver um olhar do passado, isto é, ao observar tais características do processo criativo, o meu olhar, e claramente a minha imaginação, viajaram até àquele momento e não observei as tais características com um olhar do momento, do presente, mas com um olhar que, imaginativamente, viajou até ao passado.
Patrícia Gonçalves
Aluna do 3º ano da Licenciatura em Teatro da Universidade do Minho






